• 26 de junho de 2018

História da Embalagem no Brasil

História da Embalagem no Brasil

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Autor: Borghi

Cavalcanti, Pedro e Chagas, Carmo. História da embalagem no Brasil. São Paulo:

Editora Griffo, 2006. 255p.

Resenhista: Aparecido Roberley Borghi*
* Mestre em Administração pela Universidade IMES, Especialista em Administração Industrial, Marketing e graduado em tecnologia, profissional da área de inovação em embalagens.

Diz-se que a embalagem é uma arte com um apelo de ciência. No que diz respeito à parte científica ela precisa proteger seu conteúdo, resguardando-o de solavancos, de intempéries climáticas e contaminações. Em sua forma artística, inclui o encanto de sua aparência, através da aplicação de cores e contornos saudavelmente sensuais e transmissores de emoção. Sua arte pode estar ligada a um notório rito social: o do presentear, em que a maneira de embalar um presente ou lembrança representa a importância do ato e a busca de através dele oferecer um efeito individualizado.

Nesta perspectiva, o livro História da embalagem no Brasil, com seus nove capítulos, nos brinda com uma abordagem histórica da evolução das embalagens ao longo do tempo. Em um discorrer atraente, os autores, cujo estilo é fluente e agradável, nos propicia o mesmo prazer da leitura de um romance ao apresentar o desenvolvimento das indústrias de embalagem relacionando-as com marcas e produtos que fizeram parte da vivência pessoal de muitos leitores.

Na história da humanidade, enquanto o homem consumia seus alimentos no próprio local de origem, fosse debaixo de uma árvore ou sobre um arbusto, ele não sentia a necessidade de protegê-los. Essa surgiu quando sua vida se tornou mais complexa; ao perceber aumentarem as distâncias entre sua moradia e as fontes de alimentos, conscientizou-se de que era preciso armazená-los. Numa abordagem cronológica da evolução humana, encontramos as primeiras divisões de trabalho dentro do núcleo familiar, depois dentro do clã, da tribo e, conforme os homens se tornavam caçadores, pastores, plantadores de sementes, pescadores e guerreiros, foram surgindo as primeiras embalagens como os cestos, as cabaças e as bolsas de pele.

Os autores ressaltam que o desenvolvimento das civilizações se deu em parte como conseqüência do surgimento do mercantilismo, que promoveu uma busca frenética pelas especiarias, em longas viagens, e resultou em grandes descobertas – a Rota do Cabo para as Índias e as Américas e, com elas, o Brasil. Pequenos esboços de desenvolvimento da embalagem no Brasil foram feitos em 1637, quando quatro artesãos vidreiros chegaram a Pernambuco acompanhando o príncipe Maurício de Nassau e montaram ali uma oficina para a produção de vidros planos para janelas e de frascos para embalagem. Entretanto, a embalagem em nosso país somente alcançou algum nível considerável de desenvolvimento a partir de 1808, com a abertura dos portos e a vinda da família real e da Corte portuguesa para o Rio de Janeiro, pois Portugal havia sido invadido pelas tropas de Napoleão.

Historicamente, a embalagem teve sua importância potencializada com a Revolução Industrial, após a invenção da máquina a vapor. Além da exigência da proteção dos produtos em virtude das distâncias, a velocidade de circulação das mercadorias requereu das embalagens proteção e cuidado no transporte e distribuição de bens de consumo. Chagas e Cavalcanti assim descrevem essa época na história brasileira:

“Seguindo, como sempre, os rumos da história econômica do Brasil, aevolução da embalagem ganhou um impulso no último quartel do século XIX, na esteira da industrialização geral e do desenvolvimento do comércio no país. Chegavam os imigrantes, a população da cidade de São Paulo crescia aossaltos” (p. 69).

Destaque é dado à revolução no sistema de varejo nacional com o advento dos supermercados, considerado pelos autores o estopim de uma grande revolução no mundo das embalagens. Retratam-se no capítulo correspondente as mudanças comportamentais pelas quais passaram os consumidores expostos a uma novidade: desde o primeiro momento eles estranham a ausência de vendedores. Essa situação resulta em jargão apropriado – “os supermercados e seus vendedores silenciosos” – com ênfase na nova função da embalagem.

Neste novo cenário, a conexão entre a embalagem, a mudança no sistema de varejo nacional e a necessidade de comunicação com o consumidor exigem dos produtos uma linguagem adequada que pode ser conseguida pelo emprego do design, que, segundo os autores, pode ser assim definido:

“O design é um espaço aberto para a inovação e os inovadores. As soluções de engenharia dão o tom no material e no tipo de embalagem, mas na estética, na comunicação, na conveniência, predomina a criação que vem do design[…] filho da imaginação, irmão da fantasia com foco na realidade dos negócios,ele não tem limites” (p. 171).

Na última parte do livro, Chagas e Cavalcanti tratam das tendências para o futuro das embalagens na sociedade moderna, enfatizando com sobriedade a utilização responsável dos insumos, a preocupação com o meio ambiente e a possibilidade de reciclagem dos materiais. Futuro que trará embalagens inteligentes dotadas de um timerajustável pelo consumidor que controlará a periodicidade de consumo de um medicamento por exemplo onde a embalagem emitirá um sinal sonoro avisando a hora de ingeri-lo.

Creio que o leitor se encantará com a leitura do livro resenhado, pois ela nos conduz, página a página, ao desejo de prosseguir lendo. Será excelente para aqueles que têm o interesse em descobrir algo mais sobre a evolução da embalagem, um componente essencial para a vida moderna. Ainda, sua forma e conteúdo possibilitarão uma volta ao passado através de imagens, slogans, embalagens e marcas dos principais produtos que estiveram presentes na infância de muitos brasileiros.

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