• 26 de junho de 2018

A evolução da embalagem através dos canais de venda

A evolução da embalagem através dos canais de venda

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Autor: Borghi

A evolução da embalagem foi muito alavancada com o advento dos autosserviços e na atualidade percebemos uma mudança no varejo que exige uma evolução da embalagem para acompanhá-lo!
Essa sinergia é antiga e acontece desde o surgimento dos supermercados. Para autores como Cavalcanti & Chagas, a semente dos supermercados, veio dos Estados Unidos, país em que o autosserviço surgiu nos anos 1930 em um cenário de precariedade generalizada depois da crise de 1929. Inicialmente, eliminar balcões e balconistas era uma forma de economizar, mas se converteu nos anos seguintes em uma maneira prática de comprar e vender.

No Brasil, especificamente em São Paulo, uma das primeiras empresas a adotar o sistema em que o próprio consumidor utilizava pequenas cestas de vime na entrada da loja para servir-se foi o frigorífico Wilson, em 1947. Ali os clientes pegavam o que desejassem sem a intervenção de um funcionário. Ainda em São Paulo, a Casa Prata e a Vilex apareceram logo depois como seguidoras desse modelo, até que, em 1952, o Sirva- se apresentou um método que mais se assemelha aos dos supermercados atuais.

No Rio de Janeiro, em 1956, despontaria o primeiro supermercado Disco, em Copacabana. Na Bahia, em 1959, Mamede Paes Mendonça iniciava sua rede e, no final da década de 1960, quando foi inaugurada a primeira loja da rede Pão de Açúcar, esse tipo de estabelecimento ainda era uma realidade pouco difundida.

Sobre os primórdios dos supermercados no Brasil, Jacques Marcovitch conta a história do Grupo Pão de Açúcar por meio da biografia de Abílio Diniz, onde este comenta:

“Não faltavam dificuldades de ordem prática: quando tudo começou, não havia no Brasil fabricantes de gôndolas, nem carrinhos, nem de balcões frigoríficos abertos, nem de embalagens. Mostrou-se relativamente fácil encomendar gôndolas e carrinhos e importar balcões frigoríficos, mas o problema da escassez de embalagens mostrou-se muito mais complicado. Com exceção do café́ e do açúcar, a quase totalidade das mercadorias era vendida a granel, de tal maneira que os supermercados se viam obrigados a improvisar maquinas de embalagem com caixotes e funis”.

Conta também que a princípio, a clientela estranhou a falta de vendedores; as catracas na entrada das lojas intimidavam as pessoas, que temiam que lhes fosse cobrado algum ingresso, ou que não usavam os carrinhos com receio de haver uma taxa para isso. Com o tempo, embalagens e supermercados entraram em sintonia para redesenhar o modo de comprar e vender nessa coexistência.

A ampliação do número de supermercados mudou o enfoque da embalagem, que começou a funcionar como elemento indutor da venda, pois, sem o balconista para vender o produto, ela passou a desempenhar o papel de uma força de venda. Uma mudança estratégica creditada ao supermercado foi a colocação de produtos e marcas concorrentes diante dos consumidores, o que aumentou seu leque de escolhas (Martensen, 1985).

Alday e Pinochet (2002) concordam que, do ponto de vista histórico, os supermercados sucederam às mercearias, nas quais os pedidos eram feitos a um vendedor que, ao final, empacotava tudo e recebia o pagamento – havia, portanto, um relacionamento pessoal

entre funcionários e clientes, numa espécie de tratamento personalizado. Com a chegada dos supermercados, passou às mãos do consumidor a tarefa de pegar as mercadorias desejadas, conduzi-las até o caixa e ainda empacotá-las. O contato pessoal foi reduzido pela produção em série; hoje, os clientes colocam as mercadorias nas esteiras do caixa rapidamente, enquanto a família aflita fica na ponta tentando empacotar as compras e depositá-las no carrinho antes que se misturem com as do próximo cliente.

Na atualidade vivemos uma nova revolução no varejo, mudanças comportamentais da sociedade aliada a mudanças demográficas e culturais tais como urbanização, forca de trabalho feminino, o envelhecimento da população, a mobilidade urbana, segurança e outras contribuíram na construção de uma nova realidade:

A fusão da loja física com a loja virtual!
O consumidor pesquisa o produto na loja virtual e vai até a loja física ter um contato direto com o produto ou vice-versa!!!
E qual o novo papel da embalagem nesse cenário? Se ela evoluiu da proteção e contenção para atração e comunicação no ponto de venda qual o próximo estágionessa evolução? Penso que muitos papéis cabem a ela! Para citar um deles, adicionalmente a todos os anteriores citados, na atualidade ela pode ser uma ferramenta que proporcione a conexão do mundo físico com o virtual!
Através de soluções simples como um Q-R code, ela pode transportar nossos consumidores aos sites de nossas marcas ou sites corporativos onde informações adicionais podem ser cruciais na decisão de compra.
Em suma, por mais disruptiva que seja as mudanças no comportamento da sociedade, a embalagem continuará a evoluir com ela!

Bibliografia:
ALDAY , Hernan E. C. & PINOCHET, Luiz H. C. A tecnologia do e-commerce como estratégia determinante no setor supermercadista. Revista da FAE, Curitiba, v.3, n.5, 2002. Disponível em <http://www.fae.edu/publicações>. Acesso em 30/03/2006.
CAVALCANTI, Pedro & CHAGAS, Carmo. História da embalagem no Brasil. São Paulo: Griffo, 2006
MARTENSEN, Rodolfo L. Embalagem: uma arma do marketing. In. VIEIRA, Manuel. Embalagem, arte e técnica de um povo – Síntese de cinco décadas de embalagens no Brasil. São Paulo: Toga, 1985.
MARCOVITCH, Jacques. Pioneiros e empreendedores: a saga do desenvolvimento no Brasil, Volume 2- São Paulo: Editora Saraiva, 2007.
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